Fim da turma das meninas e o que aprendi nesses 30 dias

meninasfim

 

É pessoal, hoje chegou ao fim mais um ciclo no QG Akkari Team. A turma de janeiro, marcada por ser uma turma 100% feminina chegou ao fim depois de muitos resultados, muita exposição na mídia e muito aprendizado pra gente e principalmente pras meninas.

Aqui no QG, abrimos vaga para 10 pessoas virem passar 1 mês com a gente para conseguirmos algumas coisas:

1-Proporcionar para algumas pessoas a chance de se tornarem profissionais do poker e por consequência ajudar no crescimento do Poker no Brasil

2-Mostrar para a sociedade que poker não é um jogo de azar, e que se a gente consegue pegar amadores e transformá-los em profissionais, então o que a gente fala é de fato verdade.

3-Aprender a ensinar. Esse é o mais importante, sempre falo pro pessoal daqui que o que temos no QG é um laboratório, ao ensinarmos pessoas dos mais diferentes tipos aprendemos qual a melhor maneira de ensinar pessoas mais velhas, mais novas, mais teimosas, inseguras, boas em matemática, etc. Todo esse know-how ajuda demais a gente a criar e aplicar os melhores cursos de Poker do Brasil. Muito do que eu coloquei na criação do Curso Semestral eu aprendi ensinando poker para as turmas do Akkari Team Micro. Então da até para fazer um paralelo com a F1, as montadoras pagam uma fortuna para desenvolver tecnologias que depois vão ser usadas em carros no mundo todo, aqui nós gastamos com nossa estrutura para aprender a ensinar melhor e conhecer os diferentes tipos de pessoas que querem aprender poker. Obviamente , isso faz a gente vender cursos e acaba sustentando o negócio todo.

Portanto esse era um dos principais objetivos desse período com as meninas. Aprender a ensinar mulheres a de fato jogar poker.

Fiz um post tempo atrás falando sobre o que eu pensava de mulheres no poker e porque mulheres não haviam tido muito sucesso no poker fora algumas exceções, pra quem quiser ler tá aqui, https://pokerforadacaixa.com/2014/02/03/porque-mulheres-nao-tem-tanto-sucesso-no-poker/ . E hoje depois de terminar esse ciclo tenho algumas coisas a acrescentar.

Mantenho tudo que eu escrevi naquele post e acho que esse mês me fez achar ainda mais o que eu achava, mulheres não tem tanto sucesso porque se questionam demais, tem opiniões que mudam frequentemente, enfim, são mais inseguras que homens.

Mas mulheres tem duas coisas que homens não tem.

A primeira é um negócio que em inglês chamam de “chip in the shoulder” Isso é aquela vontade de provar pros outros que eles estão errados quando eles não acreditam em você. Eu já comecei no primeiro dia aqui com as meninas falando para elas que eu achava que elas não iam ter tanto sucesso no poker por uma questão estatística (a maioria das pessoas não tem) e por uma questão de sexo (a maioria das mulheres vai na média pior que os homens). Mas apresentei uma solução pra isso. Tesão no jogo, raça, esforço e método. Pensar, estudar, usar do QG o máximo que conseguir, ver todo mundo jogar, perguntar, e pensar, estudar mais ainda.

E aí que eu vi a diferença. Foi de longe a turma mais dedicada que a gente teve por aqui. As meninas montavam grupos de estudo por conta própria, acordavam mais cedo pra ver hand histories entre elas, viam 2x a mesma aula do curso semestral.

Acho que foi um misto de vontade de provar que eu estava errado no começo e dedicação. E isso acho que mulheres de fato tem muito mais que os homens.

Com base nisso aprendi algo muito importante. A gente que é educador tem que saber trabalhar com o ponto forte de cada aluno, eu não ensino um empresário de 50 anos da mesma maneira que eu ensino um jovem de 19 anos que foi criado em um computador, e eu aprendi que não posso ensinar mulher da mesma maneira que ensino homens. É preciso desenvolver mais um lado lógico, trabalhar MUITO as inseguranças femininas com método de poker (isto é, range, lógica de interpretação de mãos , etc) e usar o que mulher tem de melhor, a dedicação, ou seja, colocar pra estudar um monte de coisa, escrever sobre o jogo, passar exercícios e tudo mais.

Se fosse só por ter aprendido isso esse mês das meninas no QG já teria valido muito a pena para gente, já que os gastos pra estrutura toda ficar ok pra receber uma turma aqui são bem altos. Mas além disso mais uma vez acertamos e trouxemos para cá uma turma de pessoas do bem, galera gente boa, sem maldade nenhuma que faz com que esse processo todo seja algo com uma clima muito bom. As meninas nesse mês foram 10, e mais uma vez, muitas amizades foram formadas, e no fim, isso é importante demais. Queria também agradecer a todas as pessoas envolvidas nessa grande estrutura que é o QG, porque sem elas não ia ser possível fazer tudo isso: André e Piero por ajudar a pensar e cuidar de tudo, Alex e Grazi por cuidar do nosso dia-a-dia, Ana e as meninas da cozinha que cozinham, lavam, passam tudo aqui pra gente não se preocupar com isso, Headão, Raul Oliveira, Culica, Rafa Fernandes e Ivan Martins por estarem por aqui pra tudo que for técnico e Padilha por ser o monstro que é e ser inspiração para todo mundo.

Então é isso, parabéns para todas as 11 meninas que não desistiram de passar 1 mês longe de casa, da família, dos amigos e foram de longe a turma mais dedicada que passou por aqui. E desejo boa sorte para elas que agora já tem tudo que precisam para seguir sua carreira com as próprias pernas!

 

 

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One comment

  1. Foi tudo bom demais Bueno, obrigada, esse QG é mágico, as coisas fluem naturalmente e quando saímos temos ainda mais vontade de tocar essa carreira para frente!! Foi uma experiência única para todos nós e amizades para a vida toda 🙂

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